terça-feira, 26 de setembro de 2017

Origens (Parte 2)


Eu não sei muito o que passa na televisão sobre a gente. — disse ele depois do que pareceu uma reflexão, olhando o dançar do fogo que ainda restava, e continuou. — Eu gostava de assistir, mas não quero me aborrecer ou ficar triste a cada vez que vejo o jornal. Não gosto de novela. É tudo mentira e ensina muita coisa ruim para quem não entende da vida.
Minha vida não foi fácil, mas tenho orgulho de quem sou e não me arrependo de nada na vida. Nunca roubei, nem matei. Nunca levantei a mão para bater da sua avó, mas nos filhos eu bati sempre que mereciam. A gente avisava, mas parece que eles pediam para apanhar. Graças a Deus, são pessoas do bem.
Eu digo que minha vida não foi fácil porque numa casa só eram meu pai, minha mãe e eu tinha oito irmãos. A vida era muito dura e como eu era mais velho, com doze anos fui trabalhar alugado. Arrancava toco, cuidava dos bichos, carregava sacos de capim e palma o dia todo. No final de semana, quando era possível, eu vinha e trazia o dinheiro para casa. Era quando a gente tinha um pedacinho de carne uma vez ou outra. Não era como hoje, não. Você chegou e teve um banquete. Gosto muito disso. — Ele deu um sorrisinho. — Quando eu chegava, dia de sábado, já tinha que ir direto para feira vender o feijão debulhado, as pitombas madurinhas e o queijo. Quando a gente vendia tudo era bom porque meu pai já tinha o dinheiro de pagar ao trabalhador que o ajudava e comprava comida para passar a semana. No domingo, depois de cortar palma, levar as cabeças de gado para o pasto e limpar o mato a gente almoçava e descansava um pouco. Eu nem tinha vontade de brincar com meus irmãos, e olhe que eu gostava de “pega-pega”, jogar bola, esconde-esconde... mas eu preferia descansar, porque na segunda, 4h da manhã, eu já tinha que sair de casa para começar tudo de novo. — Ele pausou e ficou olhando o fogo mais uma vez. Eu não sabia, até então, de nada disso. Apesar dele não estar respondendo muito o meu questionamento, a única coisa que eu queria era continuar ouvindo.
Quando eu estava fora conheci muitas meninas. — Continuou ele, olhando discretamente de soslaio — A gente sempre dava um jeitinho de namorar. Eu encontrava a namoradinha no caminho da escola, quando elas iam comprar alguma coisa na venda ou quando ia para casa das colegas. Tinha que ser escondido, se não os dois levavam um sacode dos pais. — Ele enrubesceu e, para falar a verdade, nem eu acreditava que ele estava me dizendo aquilo. — Mas nunca desonrei a filha de ninguém.  Do mesmo jeito que eu não queria que fizessem com minhas irmãs que eu tinha deixado em casa. Sua avó eu conheci com 16 anos: a menina mais linda que eu já tinha visto. Foi com ela que eu namorei em casa pela primeira vez. Eu trabalhava para o pai dela e ainda lembro como eu tremia para falar com ele. Pensei que ele ia me enxotar de lá rapidinho, mas não. Acho que ele me achava um rapaz trabalhador. Assentei, com a ajuda de meu pai, tijolo por tijolo de nossa casa e assim que podemos, casamos. — Creio ter visto, os olhos dele lacrimejarem. Apesar do entusiasmo, minha avó morrera antes mesmo de eu viajar. Ele foi duro no velório, mas vejo, hoje, que ele sentiu e sente muito. — E foi com o casamento que a resposta à sua pergunta passou a falar mais forte dentro de mim. Porque com ele a gente percebe que a nossa vida não é nada, quando colocamos a vida das pessoas que amamos, antes de qualquer coisa.
A televisão me mostrou muito a falta de água, a vida difícil, o gado que vive magro, a comida que muitas vezes não temos, as escolas que mal tem professores; e tudo isso é verdade. Se mostram é porque, de fato, acontecem. Mas o que ela não mostra também acontece. A vida difícil aqui não impediu de gerar vida, meninos e meninas que ficando aqui ou não, vivem nesse mundo de meu Deus fazendo uma história que, muitas vezes, não vemos na televisão.
O caminho que fiz quando menino e as escolhas que fiz, me levaram a ser o homem que sou hoje. Aqui, nesse mundo, onde nada é dado de graça e as coisas não caem do céu, cada dificuldade vencida é um degrau que nos faz chegar mais perto de Deus. Tá aí uma coisa
 que, aqui, nunca esquecemos. E por nunca termos esquecido, é onde ele se faz mais presente.
Quem disse que, como você, eu não tive vontade de ir para “Cidade Grande”? — Ele olhou nos meus olhos e um segundo de silêncio, pareceu um século. — Mas eu vejo o que ela faz com as pessoas: roubo, traição, abandono, morte... Sabe quando você vê isso por aqui? Justamente quando a grandeza chega em nós, e a gente nem precisa sair de casa pra isso.
A vida difícil aqui, como mostra a televisão, pode ter muitas consequências, mas diferente de vocês, eu sou livre para ir e vir onde e a hora que eu quiser, sem medo; tenho uma família que olha para mim e conversa comigo, ao invés de um celular; o pouco dinheiro que tenho é o suficiente para minha felicidade, porque não é nas “coisas” que ela está; vejo o que é verde ficar seco, mas também vejo o que está morto ganhar vida; e vou chegar ao fim de meus dias em paz com quem eu sou, porque a vida me ensinou que ser quem sou é mais importante do que ser o que as pessoas esperam.
Eu nem sei se respondi sua pergunta, mas no fim, não importa o que as pessoas falam ou veem deste lugar. Cada um só conhecerá a verdade quando viver a verdade; e para viver a verdade, além de buscá-la, é preciso coragem.


Por Herbert Monteiro

Foto: Marcia Josiane

segunda-feira, 18 de setembro de 2017

Origens (Parte 1)



Meu nome é João. Também podem me chamar de John, pois foi o nome que usei quando saí da Paraíba e fui para a “cidade grande”. John me fez pensar ser alguém maior do que eu era, o cara descolado que todos iriam gostar de conhecer, um livro novo que poderia ser escrito por um jornalista recém-formado: eu.
Dois dias depois da formatura eu me despedia dos meus pais e estava indo em busca de meus sonhos, afinal qual jornalista não gostaria de aparecer na Globo? Boa ou ruim ela ainda é referência para o mundo e eu gostaria de fazer parte de uma equipe de vencedores.
Com a indicação certa de um parente, lá estava eu. Não era a emissora de televisão que eu gostaria, nada de ser visto pelos telespectadores, não iria estar com microfone dando notícias de última hora ou tendo uma participação no telejornal. Meu papel era: fazer perguntas e anotar as respostas, e talvez trechos de tudo isso que eu escreveria fosse aparecer em algum impresso, sem os devidos créditos. Era um começo.
Dez anos se passaram e, agora como colunista, eu “ganhei” um passaporte para onde eu não pensava ir: minha terra natal. Sim, eu estava com saudades das pessoas que faziam parte de minha vida, mas não pensava em retornar aonde, para mim, parecia o ponto zero. Uma vida marcada por uma zona rural de renúncias e dificuldades, quilômetros andados a pé até a escola, faltas na universidade por ônibus de estudante que não se importavam com os alunos; brinquedos e tecnologias que eu nunca iria possuir, comidas que eu nunca iria experimentar... Enfim, não vou morar, agora é só trabalho!
A pergunta que me fez alçar vôo é simples: diante de tudo o que aparece na mídia sobre a seca e a vida no Nordeste, na realidade, o que é verdade e o que é mentira?
Eu poderia escrever um texto e unicamente entregá-lo, mas por que não perguntar a alguém com uma visão que não seja a minha? Por que não fazê-la a alguém verdadeiro e sincero? Então pensei comigo mesmo: por que não voltar às origens, de fato, e saber de meu avô o que ele acha? Ahhh... digo meu avô porque nunca conheci meu pai e minha mãe nunca gostou de onde vive, é mais uma “alegria” e “saudade” que sinto de casa.
Cheguei ao aeroporto e ninguém me aguardava, afinal, era preciso transporte e dinheiro para que meus familiares se deslocassem. Minha mãe disse que iria me esperar para um almoço especial, em família. Um táxi me trouxe pelas paisagens que eu não mais lembrava nitidamente, mas parecia tudo estar no lugar. Como um vulcão adormecido, as lembranças enraizadas só esperam uma oportunidade para explodir e virar o centro das atenções.
Eram quase 14h30 quando cheguei onde antes era minha casa e eu já imaginava quão ansiosos todos deveriam estar, pois se lembro bem, o almoço era servido muito mais cedo que isso. Ao som dos pneus do carro no cascalho, minha mãe veio à porta, mas não conteve a pressa, indo até mim e me abraçando. Meu avô na espreguiçadeira estava dando um sorriso discreto desde que me avistou, tios e sobrinhos também estavam presentes, mas não podiam nutrir um sentimento repentino por alguém que mal conheciam.
Assuntos não faltaram ao longo do dia e a imagem que mais me marcou ali foi o entardecer que eu não via há uma década. Aquele sol enorme que se prepara para descansar depois de um longo dia de trabalho; que exibe uma beleza indescritível e que, quando percebido, não deixa mais se ter assunto para conversa, permite apenas a vontade de manter o olhar fixo no horizonte lembrando que a simplicidade supera qualquer riqueza que possa ser comprada.
Não era mês junino, mas minha mãe havia me dito que meu avô fez questão de fazer uma fogueira para àquela noite, porque “ele lembrava que eu gostava muito de brincar ao redor do fogo e assar espigas de milho”.
À noite, lá estávamos nós, ao redor da fogueira e ao som do estalar do braseiro. Não lembrava como um céu poderia ser tão estrelado e de uma luminosidade magnífica.
Com a barriga não aguentando mais, depois de comer todas as comidas de milho possíveis, restaram só meu avô e eu. Estávamos lado a lado no silêncio, quando a vontade de fazer a pergunta, cuja qual foi minha missão, escapuliu de meus lábios. Sem prévio aviso. Sem explicar nem porque, nem para que. A surpresa até para mim se fez, pois sem um papel, uma caneta ou um gravador, tudo o que foi dito só pôde ser retido por meus pensamentos e, de fato, em meu coração. O que ouvi, nem ao fim de meus dias, poderia ser esquecido.
Pude transcrever, mais tarde, o que as regras gramaticais permitiram. Creio até hoje que elas tiraram a essência do brilho daquele depoimento, mas não foram capazes de apagar o sentimento avivado.
Para uma pergunta técnica, que os anos de universidade me ensinaram, eis as linhas em resposta:

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Por Herbert Monteiro

Foto: By Geiza Monteiro

terça-feira, 12 de setembro de 2017

O que os olhos não veem!


O que os olhos não veem!

O clima ameno de uma sexta-feira é o que todos gostariam de ter, vibrando por um fim de semana fora dos padrões que a rotina exige. Porém, a mesma caminhada o esperava, assim como os mesmos lugares, as mesmas pessoas. Para tudo isso ele estava pronto, sempre com o mesmo "eu".
— Bom dia, Hugo — Exclamou felizmente sua colega ao vê-lo entrar pelo portão prateado da escola, recém pintado. —Tudo bem?
— Bom dia! — Respondeu ele com os olhos brilhantes de sempre. — Claro! E você?
Perguntas iguais de remetentes diferentes são feitas todos os dias, automaticamente como uma programação de redes sociais, nem sempre pelas mesmas pessoas, mas uma coisa é certa: querem sempre as respostas que as satisfazem. Será que as pessoas nunca percebem que, na maior parte do tempo, dizer que tudo está bem é mais fácil que responder a uma sequência de outras perguntas que não querem ser respondidas?
Hugo era o amigo ideal, o filho exemplar, o aluno que supera as expectativas, o cristão que parecia não ter defeitos... menos o que ele mesmo gostaria de ser, porque nem ele mesmo sabia o caminho para isso.
Naquela manhã, em especial, o professor de matemática parecia demonstrar algo indecifrável. Seus pensamentos esvoaçavam em um milhão de coisas, sem foco, sem direção.
O que está havendo? Por que isso, agora? Será que felicidade é só viver em um mundo de aparências? — As perguntas não davam tempo às respostas. O peito apertou e a respiração tornou-se anormal de forma repentina, como se tivéssemos um susto de algo que estamos para descobrir subitamente. Ele chegou a sentir a umidade que chegava em suas pálpebras e a enxergar através delas. Isso não podia acontecer! Não sem um motivo, sem um porquê. Não há lógica nisso, mas quem precisa de lógica para sentir?
Ele levantou-se de sua carteira para caminhar em direção à porta da sala de aula, deixando o celular cair ao chão. Não olhou para trás, e agora, já no imenso corredor, correu como se a última coisa que quisesse fosse saltar o portão que o impedia de ser livre. Não precisou. Ele estava aberto. Correu e continuou correndo, vendo de relance as sombras das pessoas que o olhavam e das árvores nas calçadas que nunca o acompanhariam. O gosto salubre da lágrima parecia algo que nunca havia sentido e não era para ser perceptível agora.
A buzina estridente de uma caminhonete o fez acordar do transe e virar-se quando percebeu que já estava no meio da rua, dois ou três carros parados repentinamente para evitar o acidente. Ele limpou o rosto e caminhou devagar. Só um lugar veio a sua mente: o observatório da cidade, a poucos metros dali.
Em poucos minutos, a uma altura grande o suficiente para sentir o vento gélido, mesmo diante do brilhar do sol, ele segurava as grades de proteção e fitava ora o horizonte, ora as pessoas na correria de sempre, como pontos pequenos lá embaixo.
O que é mais fácil: viver aqui tendo sensações que nem você entende ou entrar em um sono profundo onde tudo será paz? — Perguntava-se quando se deu conta o quanto seria fácil voar dali sentindo o ar de liberdade até o encontro da verdadeira paz. Fechou os olhos. O coração bateu forte, sentindo-o no tremer dos seus lábios. Simples, rápido, fácil. O silêncio.
— Rapaz — Uma voz rompeu a calmaria. — Você pode tirar uma foto nossa? Estamos em lua de mel e gostaríamos de ter esta paisagem em nossas recordações.
Agora, sentado na varanda de sua casa, lutava para não pensar no hoje, enquanto olhava o crepúsculo através de uma árvore há muito vivida e que, apenas agora, chamou como nunca sua atenção para uma nova perspectiva. Pensava consigo mesmo quantas vezes a observou como um ser solitário que vive para ver o brilho de algo maior. Hoje, como um ser ainda solitário, mas que por algo maior viveu e vive deixando os rastros de sua existência.
— Oi, meu amor. Está tudo bem? — Perguntou sua mãe que chegava do trabalho e deslizou sua mão sobre os cabelos de seu único filho.
— Claro! E a senhora?


Por Herbert Monteiro

Foto: Jennyffer Lopes (Amiga Incrível)

domingo, 13 de novembro de 2016

Ir ou não ir...



Seu sorriso é o que ele mais lembra em todos os momentos que precisa pensar em algo bom. Naquela manhã de sábado, em especial, ao chegar mais uma vez, esse mesmo sorriso inundou seu coração dando-o coragem para fazer o que há muito tempo desejara.
Tobias ainda lembra a primeira vez que entrou na livraria e, Camile, com seus lábios resplandecentes, o ajudou a acomodar-se e o disponibilizou os melhores livros de turismo que possuía. Desde então, ela continuava a fazê-lo, todos os dias, há um mês.
Desta vez ele não se demorou muito e, também, não esperou ela ajuda-lo a se retirar como de costume. Tobias já acenava da porta quando ela se deu conta que seu lugar na mesa estava vazio. Ao guardar os livros, com a xícara de chá pousando ainda quente sobre o pires, um envelope com seu nome mostrou-se de relance. Ela olhou mais uma vez para porta esperando que Tobias ainda estivesse lá, mas ela sabia que não estaria. Aproveitando o vazio da livraria ela sentou-se e abriu lentamente o envelope. Retirou um papel com uma textura delicada, em cor pálida, e as palavras escritas a punho não poderiam deixa-la mais pensativa:

“Sinto que não consigo mais me concentrar nos livros quando o que mais quero é conversar com alguém o que está em meus pensamentos e em meu coração. Caso possa me conceder esta oportunidade espero você hoje à noite, às 18h00, neste endereço (...) se identifique a um senhor chamado Otávio.”

Em um misto de dúvidas, pensamentos e sensações o dia demorou um século a passar e sua atenção dispersa não ajudou em seu trabalho. Logo, quando fechou a livraria gostaria de ter caminhado mais rápido, porém, seus passos até o ponto de ônibus foram mais lentos que o normal.
Dezoito horas. Ao descer a rua e caminhar até chegar a sua casa, a decisão do que deveria fazer sequer estava dando sinais de preencher o vazio deixado por suas perguntas: quem era ele de fato? O que poderia querer? Por que ela e não outra pessoa? Ir ou não ir? Ir ou não ir? Ir ou não ir?
Quando a água quente de seu banho parecia aliviar suas tensões ela percebeu que sua vontade de ir era mais forte que o medo de não desvendar o mistério de seu futuro, traçado a partir dàquele envelope deixado a sua espera.
Dezenove horas e trinta minutos. Ela estava pronta e ao tocar a maçaneta da porta, paralisou. O medo, a dúvida e a insegurança eram correntes que agora se fizeram presentes de uma forma nunca vista antes. Quando deu por si estava no sofá, deitada olhando o teto e os reflexos que os faróis dos carros deixavam quando passavam na rua.
Abrir a livraria nunca foi tão difícil. Olhar nos olhos dele então, era impensável. O que acabou por não ocorrer. De certa forma; ela o esperou o dia todo, mas nada. Ele não apareceu.
Seus passos foram rápidos até encarar o endereço no papel: uma sorveteria. Respirou fundo e entrou:
− Sr. Otávio, por favor. – Disse ela timidamente a um rapaz no balcão. Ele apontou para uma mesa no canto, aonde havia um senhor olhando a rua através da vidraça.
Ela encaminhou-se até ele. – Com licença. O senhor pode me dizer onde posso encontrar um jovem chamado Tobias?
O senhor a olhou com um olhar profundo e retirou um pequeno papel do bolso.
− Camile, eu suponho. – Disse ele sem expressão. – Ele pediu para lhe entregar este papel.
Em um guardanapo, talvez pego como única alternativa de um momento não esperado, ela leu a única coisa que ficou deste dia pra sempre com ela.
“Há um tempo para tudo neste mundo. O fato é que agora nunca saberemos o que o futuro reserva caso o seu agir fosse no momento oportuno. Nem antes, nem depois. Caso viver com o SE seja o seu destino, esta será a base de sua vida.”


Por Herbert Monteiro

quarta-feira, 20 de julho de 2016

Superando a perca...

“Tinha um amigo que era meu parceiro mesmo, pra tudo a gente tava junto conversando, dividindo tudo e a gente gostava muito de curtir a vida. Ele perdeu a vida em um acidente de moto faz 6 meses quando dava o grau na moto e um carro bateu nele, sofri na época e eu não consigo pensar nele sem sofrer muito porque dizem que procuramos isso. Ele era bom, todo mundo gostava dele e fico pensando porque Deus permitiu isso e como posso superar isso também.”

Antes de tudo, obrigado pelo contato e pela confiança. Para facilitar nossa conversa eu te chamarei de Carlos, ok?
Carlos, a coisa mais importante que não podemos esquecer aqui é que nada vai tirar a importância do seu amigo na sua vida, tudo que vocês viveram e sentiram: nenhum julgamento das pessoas é capaz disso; e o fato de você não ter vergonha de assumir esse sentimento verdadeiro de amizade, sem reservas, é o que nos faz perceber o quanto as pessoas podem fazer a diferença nas nossas vidas.
Temos o controle sobre determinados momentos, outros não. Tentamos controlar sentimentos, muitas vezes sem sucesso. Ninguém quer sofrer, mas “Quando o sofrimento bater a sua porta” (ótimo livro de Pe. Fábio de Melo, por sinal) é necessário permiti-lo para depois conseguir superá-lo. Assumindo que estamos sofrendo é a base para vencermos esta barreira, diferente de quando fingirmos estar bem e continuamos fingindo toda uma vida.
Temos que ter cuidado com aquilo que acreditamos que “Deus permitiu”. Todos nós estamos sujeitos aquilo que é humano: doenças, acidentes, sofrimentos, etc. Da mesma forma estamos sujeitos às consequências de nossos atos (livre arbítrio). Vi que “dar o grau” é uma modalidade motociclistica reconhecida mundialmente chamada wheeling, que consiste em empinar a moto em alta ou baixa velocidade. Até aí beleza, mas pensando nos outros, será que quem “dá o grau” pratica em local adequado, utiliza os equipamentos de segurança, toma as devidas preucações em manutenção, se preocupa com as outras pessoas próximas?  Aí você diz: será que eu vim aqui pra um desconhecido vir dar lição de moral? NÃO. De forma alguma. O fato é que tudo acontece por um motivo.
Já pensou que tudo isso foi uma forma extrema de dizer: CARLOS (e pense aqui os muitos Carlos que estão em uma mesma situação), se cuida; ou então, CARLOS, não cometa o mesmo erro.
Quando você se cuida, você acaba cuidando de todos que estão a sua volta. Quando você sofre, seus amigos sofrem, sua família sofre e tudo vira um mar de sentimentos incontroláveis, porém, eles também compartilham perfeitamente de sua felicidade quando esta acontece.
Não culpe Deus por ter permitido que isso tenha acontecido, pois somos humanos e a bondade nunca foi um escudo protetor que evita todos os males, mas quando somos bons temos o apoio de todas as pessoas cuja nossa bondade foi capaz de alcançar.
Outra coisa que podemos pensar é: a forma que tudo aconteceu me deixa um aprendizado. Qual foi ele? (lembrando que o aprendizado só nos serve quando colcocamos em prática, caso contrário não nos adianta muita coisa).
Por fim, para superar tudo isso é necessário fazer com que a memória de seu amigo seja lembrada não como algo ruim, mas ter a certeza de que o que ele plantou em sua vida será base para muitas coisas que ainda estão por vir; honrar sua partida mostrando que sua mensagem foi recebida e posta em prática; e acima de tudo isso, perceber que Deus pode nos dá a chance de recomeçar, e quando temos esta oportunidade é o que de melhor podemos fazer, porque muitos não têm.

Dê sua opinião. Construa essa bula conosco.

Por Herbert Monteiro

Foto: Google Imagens

segunda-feira, 10 de agosto de 2015

E quando o amor não é mais AMOR?


HISTÓRIA: Olá Herbert. Ultimamente estou me sentindo muito mal com uma pessoa, ela sempre falava e fala que me ama, mais está provando totalmente o contrário, e fiquei sabendo de umas coisas que passei a ter nojo dessa pessoa. Ela era muito, mais muito especial pra mim, mas agora quero de verdade esquecê-la, só que ela frequenta os mesmo lugares que eu, como faço para ignora-la? Tratar ela como se fosse um nada pra mim? Porque mesmo sem querer o que eu sinto por ela ainda é muito forte. Um beijo.

Olá, Bia! Agradeço o contato e peço desculpas pela demora na resposta. Primeiro de tudo, precisamos entender que sentimento não é manipulável da forma que queremos, o que ajuda em alguns casos, mas também dificulta em outros.


A segunda coisa é que o amor entre duas pessoas não é algo que surge do nada, pelo menos não o verdadeiro, pois amor é algo que se constrói com uma história recheada de alegrias, cumplicidade, apoio, sinceridade e superação. Então, não se pode dizer que ama e as atitudes demonstrarem o contrário por que já ouvimos muitas vezes que “uma ação vale mais que mil palavras”.

Assim, o amor é confundido, muitas vezes, com fatos isolados como atração física, a beleza interior do outro, uma admiração por algum traço característico, carência, etc. E ele pode até começar por aí, mas não é por isso que permanece, mas por um conjunto muito maior de fatores.

Sinto dizer também que se seu sentimento por ele é “muito forte”, não será da noite para o dia que irá esquecê-lo e principalmente se o encontra constantemente.

O que poderia ajudar seria evitar os mesmos lugares, mas não sendo possível tem um plano B: viver a etapa de “desapego” (conhecida como sofrência... rs), e depois a de superação que é quando, mesmo difícil, você passa a conviver com ele tentando manter distância, mas em um relacionamento amigável. Fazer de conta que ele é “um nada” não dá muito certo porque você nunca chega a uma superação de verdade, já que vai lembrar toda vez que o ver, mudar de calçada pra não ter que olhar, perder coisas importantes pra você só porque ele está no mesmo lugar, sempre ficar respondendo as perguntas dos outro de por que você não fala com ele, e coisas do tipo.

Preciso lembrar a você de que, quando as coisas em um relacionamento não estão caminhando bem, precisamos dar espaço ao diálogo e, muitas vezes, ao perdão, quando percebemos que um verdadeiro sentimento existe, mas quando estes mesmos “problemas” só crescem e não há uma tentativa de mudança, acredito ser necessário repensar o conceito de amor existente.

Obrigado pelo contato. Caso as coisas tenham mudado de cenário te aguardo novamente.

E você leitor? O que acha? Ajude-nos a construir essa bula!

Por Herbert Monteiro

segunda-feira, 20 de abril de 2015

Minha amiga traiu minha confiança!

HISTÓRIA: “Oi Hebert. Ando muito triste com as pessoas porque toda amizade que tenho um dia me decepciona. A pessoa que eu julgava ser minha melhor amiga espalhou um segredo meu que eu tinha e acabei me afastando dela. Depois disso eu sempre desconfio de alguém que tenta se aproximar, mas não consigo ficar feliz desse jeito. Você tem ideia do que posso fazer para ficar melhor?”

Olá Maria, primeiramente agradeço o contato e a confiança. Primeiro é importante termos em mente que não podemos julgar as pessoas por um ou outro alguém que tivemos contato e nos decepcionamos, pois caso façamos isso estamos correndo o perigo de “por nosso julgamento” estarmos nos isolando sem nem ao menos percebermos.

Assim como tudo na vida é importante vivermos cada etapa no seu tempo. Quando encontramos pessoas, as quais temos afinidade, nos aproximamos, passamos a fazer parte da vida um do outro e de forma natural passamos de “conhecidos” ao sentimento de amizade. Esse elo da construção nos dá a certeza necessária para confiarmos, o que não deveria acontecer, por exemplo, quando forçamos ser amigos de alguém. 

Então, é difícil acreditar que AMIGOS VERDADEIROS traiam a confiança um do outro no sentido de denegrir a imagem ou algo semelhante. Caso aconteça é de pensarmos se realmente o que tínhamos era uma amizade ou uma troca de favores e interesses pessoais. Porém, precisamos entender que o título de amigo não confere a alguém o título de perfeição, pois todos continuamos humanos, limitados e imperfeitos, em outras palavras, capazes de errar.

Uma alternativa para que possa vencer esse sentimento de “traição” é, como dito inicialmente, não julgar todos pelos erros de um; ir com calma na construção de novas amizades; e ter muita cautela com quem divide a sua vida. Se bem soubéssemos, as melhores pessoas com quem poderíamos fazer isso (partilha de nossa vida) seriam nossos pais, pois sabemos que o amor deles quer sempre o nosso bem, se bem que isso é outro processo um difícil para juventude...

Maria, caso se feche para o mundo você poderá até evitar decepções, mas nunca saberá o que poderia ter ganho de bom se tivesse arriscado mais uma vez. 

Você tem que erguer-se para, possivelmente, cair de novo. A única coisa que não pode acontecer é ficarmos no chão.

Por Herbert Monteiro

E você o que acha? Curta, compartilhe, deixe o seu comentário!